LIBERAÇÃO ECOLÓGICA DE ESPÉCIE INVASORA
ENTOMOFAUNA ASSOCIADA À CALOTROPIS PROCERA NÃO AFETA A GERMINAÇÃO DE SEMENTES
DOI:
https://doi.org/10.65259/rnzool.v4i1.104Palabras clave:
Caatinga, Calotropis procera, Oncopeltus, predação pós-dispersão, RestingaResumen
Interações entre plantas e insetos podem exercer uma grande influência na dinâmica e estrutura de populações vegetais. Para espécies introduzidas em um novo habitat, interações antagonísticas podem atuar como um controle para a expansão dessas populações exóticas nos habitats invadidos. O objetivo desse trabalho é identificar a entomofauna associada a frutos de Calotropis procera em populações de Caatinga e Restinga do Nordeste brasileiro e analisar a sua influência sobre a germinabilidade das sementes. Foram coletados 30 frutos durante a estação chuvosa de 2007 em cada ecossistema e para cada fruto foi investigada a presença e o estágio de desenvolvimento dos insetos e o número de sementes predadas. Foi avaliada, também, a biomassa seca e a germinabilidade de sementes de frutos com e sem associação. Em área de Caatinga foram observados indivíduos em diferentes estágios de desenvolvimento de Oncopeltus unifasciatus (Hemiptera, Lygaeidae) dentro dos frutos de C. procera, o que evidencia o uso dos frutos como sítios reprodutivos. Contudo, nenhuma semente predada foi encontrada e a associação com o inseto não exerceu influência nem na biomassa seca, nem na germinabilidade das sementes. Em frutos de Restinga, nenhum tipo de associação com insetos foi encontrado. Dessa forma, O. unifasciatus não atua como predador das sementes e seu papel como regulador das populações de C. procera nos habitats estudados se mostrou irrelevante. Como estes insetos também podem forragear em outros órgãos vegetais, mais estudos são sugeridos sobre a influência de O. unifasciatus no crescimento e reprodução de C. procera.
Descargas
Citas
Amritphale, D. & S. Sharma. 2007. Learning foodchain with Calotropis procera. Resonance, Deli, 1 (12): 67-75.
Brasil. 1992. Regras para análise de sementes. Brasília, Ministério da Agricultura, 365p.
Callaway, R.M. & E.T. Aschehoug. 2000. Invasive plants versus their new and old neighbors: a mechanism for exotic invasion. Science, Washington, 290 (5491): 521-523.
Cavalcanti, A. & I. Major 2006. Invasion of alien plants in the Caatinga biome. Ambio, Berna, 35 (3): 141-143.
Chapin, F.S.; E.S. Zavaleta; V.T. Eviner; R.L. Naylor; P.M. Vitousek.; H.L. Reynolds & D.U. Hooper. 2000. Consequences of changing biodiversity. Nature, London, 405: 234-242.
Corrêa, P. 1939. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas, 4 ed., Rio de Janeiro, Brasil, 4324p.
Duffey, S.S. & G.G.E Scudder. 1972. Cardiac glycosides in North American Asclepiadaceae, a basis for unpalatability in brightly coloured Hemiptera and Coleoptera. Journal Insect Physiology, 18 (1): 63 78.
Holanda, J.L.R.; S.M.S. Vasconcelos & L.P. Maia. 2003. Aspectos hidrogeológicos da região costeira do município de Caucaia – Ceará. Revista de Geologia, Fortaleza, 16 (1): 7-18.
Keane, R.M. & M.J. Crawley. 2002. Exotic plant invasions and the enemy release hypothesis. Ecology and Evolution, New York, 17 (4): 164-170.
Kissmann, K. G. & D. Groth. 1992. Plantas infestantes e nocivas. São Paulo, BASF S.A., vol.2, 798p.
Labouriau, L.G. & M.E.B. Valadares. 1976. On the germination of seeds of Calotropis procera (Ait.) Ait.f. Anais da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, 48 (2): 263-284.
Lacerda, L.D. & F.A. Esteves. 2000. Restingas Brasileiras: Quinze anos de estudo. In: Esteves, F.A. & Lacerda, L.D (eds.) Ecologia das Restingas e das Lagoas Costeiras. Rio de Janeiro, Ed. Numem/UFRJ, 394p.
Machado, I.C.S.; L.M. Barros & E.V.S.B. Sampaio. 1997. Phenology of Caatinga species at Serra Talhada, PE, Northeastern Brazil. Biotropica, Zurich, 29 (1): 57-68.
Mack, R.N.; D. Simberloff; W.M. Lonsdale;H. Evas; M. Clout &F.A. Bazzaz. 2000. Biotic invasions: Causes, epidemiology, global consequences and control. Ecological Applications, Washington, 10 (3): 689-710.
Melo, M.M.; F. Vaz; L.C. Gonçalves & H.M. Saturnino. 2001. Estudo fitoquímico da Calotropis procera Ait. sua utilização na alimentação de caprinos: efeitos clínicos e bioquímicos séricos. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, Ondina, 2 (1): 15–20.
Nunez, N.A.; D. Simberloff & M.A. Relva. 2008. Seed predation as a barrier to alien conifer invasion. Biological invasions, Heidelberg, 10 (8): 1389-1398.
Pysek, P.; V. Jarosik & T. Kucera. 2002. Patterns of invasion in temperate nature reserves. Biological Conservation, 104 (1): 13-24.
Rahman, M.A. & C.C. Wilcock. 1991. A taxonomic revision of Calotropis (Asclepiadaceae). Nordic Journal of Botany, Lund, 11 (3): 301-308.
Ralph, C.P. 1976. Natural food requirements of the large milkweed bug, Oncopeltus fasciatus (Hemiptera: Lygaeidae), and their relation to gregariousness and host plant morphology. Oecologia, Berlim, 26 (2): 157-175.
Rejmanék, M.; D.M. Richardson & P. Pysek. 2005. Plant invasion and invisibility of plant communities, p.332-355. In: Van Der Maarel, E. Vegetation Ecology. Blackwell Publishing, Oxford, 380p.
Root, R.B. & S.J. Chaplin. 1979. The Life-Styles of Tropical Milkweed Bugs, Oncopeltus (Hemiptera: Lygaeidae) Utilizing the Same Hosts. Ecology, New York, 57 (1): 132-140.
Smith, M. D. & A.K. Knapp. 2001. Physiological and Morphological Traits of Exotic, Invasive Exotic, and Native Plant Species in Tallgrass Prairie. International Journal of Plant Sciences, Chicago, 162 (4): 785-792.
Solbreck, C. & I. Pehrson. 1979. Relations between environment and reproduction in a seed bug, Neacoryphus bicrucis (Say) (Heteroptera: Lygaeidae). Oecologia, Berlim, 43 (1): 51-62.
Trammell, M.A. & J.L. Butler. 1995. Effects of Exotic Plants on Native Ungulate Use of Habitat. The Journal of Wildlife Management, Kansas, 59 (4): 808-816.
Tye, A. 2001. Invasive plants problems and requirements for weed risk assessment in the Galapagos Islands. In: Groves, R.H.; Panetta, F.D. & Virtue, J.D. (Eds.) Weed risn assessment. Collingwood, Canadá. 244p.
Vitousek, P.M. 1990. Biological invasions and ecosystem processes: towards an integration of population biology and ecosystem studies. Oikos, Lund, 57 (1): 7-13.
Wilcove, D.S. & L.Y. Chen. 1998. Management Costs for Endangered Species. Conservation Biology, New York, 12 (6): 1405-1407.
Wolf, M.L. 2002. Why alien invaders success: Suport for the escape-from-enemy hypothesis. The American Naturalist, Chicago, 160 (6): 705-711.