O BICHO-PREGUIÇA (Bradypus variegatus Schinz, 1825; Xenarthra; Bradypodidae) NOS RELATOS E DESCRIÇÕES DOS CRONISTAS E NATURALISTAS DOS SÉCULOS XVI E XVII NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.65259/rnzool.v5i1.92Palavras-chave:
preguiça comum, zoologia, históriaResumo
O objetivo do presente trabalho é analisar os relatos e descrições dos principais cronistas e naturalistas sobre o bicho-preguiça (Bradypus variegatus Schinz, 1825; Xenarthra; Bradypodidae) nos séculos XVI e XVII no Brasil. Foi realizado por meio de uma revisão de literatura dos capítulos referentes à sua descrição nas obras dos cronistas e naturalistas. Da fauna brasileira o animal foi um dos que mais chamou a atenção dos cronistas e naturalistas europeus. Conclui-se que, entre os relatos se destacam os de Gabriel Soares de Sousa e de Ambrósio Fernandes Brandão (no século XVI) e constata-se uma significativa diferença entre estes e as descrições produzidas pelos naturalistas Marcgrave e Piso durante a ocupação holandesa no Nordeste no século XVII. Entre estes se destaca a de Marcgrave, que se aproxima das atuais descrições zoológico-anatômicas do animal. A de Piso é uma cópia resumida de Marcgrave. Estas considerações históricas sobre o bicho-preguiça têm a intenção de contribuir nas ações de preservação da espécie.
Downloads
Referências
Almeida, A.V. 2007. Insetos brasileiros comentados pelos cronistas coloniais: séculos XVI e XVII. Sitientibus Série Ciências Biológicas, Feira de Santana, 7 (1): 113-124.
Amorim, A.L.M.J.A.; A.A Amorim Júnior; J.B. Messias; V.A Silva Júnior & M.K Berinson. 2004. Anatomical aspects of the placenta of the sloth Bradypus variegatus, Schinz, 1825. International Journal Morphology, Temuco, 22(1): 9-18.
Brandão, A.F. 1930. Diálogos das grandezas do Brasil. Rio de Janeiro: Officina Industrial, 412p.
Clusii, C. Exoticorum libri decem. ex Officina Plantiniana Raphelengii, 1605, 242 p.
Cruz, M.A.M.; Cabral, M.C.C.; Silva, L.A.M. & Campêllo, M.L.C.B. 2002. Diversidade da mastofauna no Estado de Pernambuco. In: M. Tabarelli & J.M.C. Silva, (orgs.) Diagnóstico da biodiversidade de Pernambuco. Recife: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Editora Massangana,, p.557-579.
Gesteira, H.M. 2008. Representações da natureza: mapas e gravuras produzidos durante o domínio neerlandês no Brasil (1624/1654). Revevista do Instituto de Estudos Brasileiros [online], São Paulo, n.46, pp. 165-178.
Hayssen, V. 2010. Bradypus variegatus (Pilosa: Bradypodidae). Northampton, Mammalian Species, 42 (850): 19-32.
Gândavo, P.M. 1924. Tratado da terra do Brasil e história da província de Santa Cruz. São Paulo, Annuário do Brasil, p.27.
Gardner, A.L. 2007. Mammals of South America. Baltimore, Johns Hopkins University Press, 567p.
Gilmore, D.P.; C.P Costa & D.P.F Duarte. 2000. An update on the physiology of two- and three-toed sloths. Ribeirão Preto, Brazilian Journal of Medical and Biological Research. 33: 129-146.
Laet J. 1942. Notas, p. 142-259. In: J. Marcgrave. História natural do Brasil. São Paulo: Museu Paulista Imprensa Oficial do Estado.
Léry, J. 1998. Viagem à terra do Brasil. São Paulo: Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Caderno n.10, p.18.
Marcgrave, J. 1942. Livro VI – Dos quadrúpedes e serpentes. In: J. Marcgrave, História natural do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado – Museu Paulista, p.221-236.
Medri, I.M.; G.M Mourão & F.H.G. Rodrigues, 2006. Ordem Xenarthra. In: Reis, N.R.et al.(orgs.) Londrina, Mamíferos do Brasil: p.228-250.
Montgomery, G.G. 1983. Bradypus variegatus (perezoso de tres dedos, three-toed sloth). In: D.H. Janzen, (ed.). Costa Rican natural history, Chicago, University of Chicago Press, p. 453–456.
Nowak, R.M. 1999. Walker’s mammals of the World. v 1. 6 ed. Baltimore,The Johns Hopkins University Press, 455p.
Piso, G. 1957. História natural e médica da Índia Ocidental. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura, Instituto Nacional do Livro, p.321.
Salvador, V. 1954. História do Brasil (1500-1627). 4a ed. São Paulo, Edições Melhoramentos, p.128.
Sawaya, P. 1942. Comentários. In: Marcgrave, J. História natural do Brasil. São Paulo, Imprensa Oficial do Estado – Museu Paulista, p.LXXVIII-LXXXVIII.
Sousa, G.S. 1938. Tratado descritivo do Brasil em 1587. 3a ed. São Paulo, Companhia Editora Nacional, p.257-258.
Thévet A. 1944. Singularidades da França Antárctica: a que outros chamam de América. São Paulo, Companhia Editora Nacional, p.70.
Wetzel, RM. & R.D. Ávila-pPres, 1980. Identification and distribution of the Recent sloths of Brazil (Edentata). Revista Brasileira de Biologia, São Carlos, 40: 831–836.