NOTAS HISTÓRICAS SOBRE AS PRAGAS DO ALGODOEIRO NO NORDESTE NO FINAL DO SÉCULO XVIII SEGUNDO O NATURALISTA MANUEL ARRUDA DA CÂMARA (1766-1811)
DOI:
https://doi.org/10.65259/rnzool.v5i1.94Palabras clave:
conceito de insetos-praga, Gossypium spp., história da Entomologia, ParaíbaResumen
É objetivo do presente trabalho estudar os insetos-praga do algodoeiro descritos pelo naturalista Manuel Arruda da Câmara (1766-1811) no final do século XVIII. O naturalista instalou-se em Pirauá na Paraíba, onde estabeleceu, às margens do rio Paraíba, uma grande fazenda, na qual cultivou intensamente o algodão. Como resultado da sua experiência de cotonicultor, em 1799, publicou a obra “Memória sobre a cultura dos algodoeiros”, que se constitui num verdadeiro tratado histórico sobre essa cultura. Sete pragas do algodoeiro foram assinaladas e descritas pelo naturalista, denominando-as como: “Broca” (broca da raiz do algodoeiro; Eutinobothrus brasilensis (Hamblenton, 1937) Coleoptera; Curculionidae); “Lagarta” (curuquerê do algodão; Alabama argillaceae (Huebner, 1818) Lepidoptera; Noctuidae); “Gafanhoto grande” (tucurão; Tropidacris collaris (Stoll, 1813), Orthoptera; Romaleidae); “Gafanhoto camaleão volante” (esperança; Steirodon striolatus (Brunner, 1878), Orthoptera; Tettigoniidae; Phaneropterinae); “Gafanhoto de grandes joelhos” (esperança; Stilpnochlora marginella (Serville, 1825) Orthoptera; Tettigoniidae; Phaneropterinae); “Gafanhoto pigmeu” (esperança; Scudderia beckeri Piza, 1967 Orthoptera; Tettigoniidae; Phaneropterinae); “Percevejo Gossypiphagus” (percevejo manchador; Dysdercus sp. Heteroptera; Pyrrhocoridae). Constata se que os insetos-praga assinalados pelo naturalista hoje não tem expressão como tal e que na época as principais pragas atuais do algodoeiro no Nordeste ainda não eram assinaladas. Também é possível constatar-se que desde o registro de Arruda da Câmara o conceito de insetos-praga evoluiu significativamente.
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