PROTOCOLO COM INTERVENÇÃO PARA REABILITAÇÃO DE INFANTES ÓRFÃOS DE PREGUIÇA-DE-GARGANTA-MARROM Bradypus variegatus Schinz, 1825 (PILOSA: BRADYPODIDAE)
DOI:
https://doi.org/10.65259/rnzool.v15i1.114Palabras clave:
Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres, Enriquecimento Ambiental, Etograma, ResgateResumen
Depois que a espécie Bradypus variegatus carrega seu filhote, por cerca de 6 meses, ela o abandona. Esta separação constitui o desmame social, ela deixa parte do espaço onde havia criado o filhote e muda-se para outra parte diferente da floresta. Na natureza, por diversos motivos, alguns filhotes podem ficar órfãos, sendo infantes podem apresentar algum aprendizado adquirido com a mãe, mas quando são resgatados e mantidos em cativeiro, é necessário que sejam submetidos à processos de reabilitação em Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres - CETRAS. O presente estudo, objetivou-se elaborar um protocolo de reabilitação de filhotes órfãos para Bradypus variegatus mantidos no CETRAS Tangará, Recife, Pernambuco. Foram selecionados alguns indivíduos de B. variegatus infantes, de sexo não determinado, que foram mantidos em um recinto enriquecido com troncos e galhos de árvores. Realizaram-se registros das observações e das intervenções relacionadas às atividades locomotoras, alimentares e de defesas, por meio dos métodos Focal e Scan. Para enriquecimentos de intervenção locomotora, renovou-se os galhos com diferentes tipos de espessuras e alturas. Para os de intervenção alimentar, disponibilizou-se folhas de Artocarpus heterophyllus, Ficus sp. e Inga sp. Durante a intervenção de defesa, os enriquecimentos consistiram na exposição de predadores engaiolados nas proximidades do recinto (uma coruja, Pulsatrix perspicillata (Latham, 1790); um falcão, o carcará, Caracara plancus (Miller, 1777), e um felino, o gato-mourisco, Herpailurus yagouaroundi (Geoffroy, 1803). Após os enriquecimentos, elaborou-se o etograma para incluir os comportamentos exibidos pelos filhotes. Evidenciou-se um aumento significativo nas exibições comportamentais durante a categoria com intervenção, seguido de uma redução no número de exibições durante a categoria pós-intervenção. Notou-se que as intervenções foram eficazes para que os animais pudessem realizar mais atividades e exibir comportamentos que exibiriam na natureza. Percebeu-se o impacto positivo das intervenções durante a reabilitação, resultando em um repertório comportamental mais diversificado e adequado para sua faixa etária. É necessário aprimorar as práticas de reabilitação, os protocolos de reabilitação e monitoramento após a soltura, buscando reduzir os riscos e melhorar as chances da conservação da espécie na natureza.
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